Eddie Murphy
Eddie Murphy é ESTP. O stand-up do começo da carreira (Delirious, Raw) é puro carisma físico e energia improvisada, despejados numa velocidade e num volume que deixam a plateia correndo atrás. Ele lê uma plateia mais rápido do que a maioria dos comediantes lê uma única pessoa, e adapta a apresentação em tempo real. A carreira no cinema (Um Tira da Pesada, Trocando as Bolas, Um Príncipe em Nova York) mostra a presença natural de tela do ESTP: ele não interpreta o personagem, ele habita a situação, e a situação vira um veículo para a inteligência física e social que é o verdadeiro dom dele.
Eddie Murphy e a mente ESTP
Eddie Murphy é ESTP. O tipo é definido por uma hierarquia de funções cognitivas: não uma lista de traços, mas uma pilha ordenada de processos mentais que determina como alguém percebe o mundo e toma decisões. No caso de Eddie Murphy, essa pilha começa pela Se (Sensação extrovertida) e se apoia na Ti (Pensamento introvertido). Entender essa ordem explica não só o que Eddie Murphy faz, mas por quê, e por que reage como reage sob pressão, nos relacionamentos e nos momentos decisivos da sua história.
Eddie Murphy lê a situação imediata mais rápido do que qualquer pessoa ao redor. A Se (Sensação extrovertida) é a função dominante: um envolvimento pleno e alerta com o que está acontecendo agora, processado e respondido antes que a maioria termine de avaliar. A Ti (Pensamento introvertido), como função auxiliar, oferece a precisão analítica que transforma a reação de Eddie Murphy em algo mais que um reflexo: há rapidez, há precisão e há uma estrutura lógica que a velocidade torna invisível. A Ni inferior (Intuição introvertida) é o ponto cego constante: consequências de longo prazo, padrões que só surgem com o tempo e a forma que as coisas terão daqui a anos são o que Eddie Murphy mais subestima.
O que faz de Eddie Murphy um exemplo convincente de ESTP não é cumprir cada item da descrição do tipo, mas o fato de a pilha de funções se sustentar sob pressão. Nos momentos que definem sua história (as decisões sob estresse, os erros de julgamento, os raros momentos de crescimento real), o padrão é coerente. A função dominante é a primeira a que Eddie Murphy recorre. A função inferior é a que pega Eddie Murphy de surpresa.
Como um ESTP processa o mundo
Todo ESTP funciona com a mesma hierarquia de funções cognitivas. Veja como essa pilha se traduz no jeito como Eddie Murphy realmente pensa, decide e age.
Eddie Murphy: o que o perfil ESTP explica
O perfil ESTP de Eddie Murphy é o retrato mais completo do tipo que a comédia já deu, porque a função dominante encontrou o seu terreno (a imitação concreta, a comédia física concreta, o personagem concreto vivido ao máximo no presente), e esse terreno dá à Se o instrumento mais completo para o que a Ti avaliou como o ângulo mais interessante sobre cada convenção social ao mesmo tempo. Ele não planeja a apresentação. A Se lê a situação concreta do personagem, da pessoa ou da convenção social, a Ti avalia o ângulo mais interessante, e a execução vem antes que qualquer estrutura a tenha dado por concluída. Ele já está dentro do personagem antes de a apresentação terminar.
O Um Tira da Pesada dele é a atuação individual mais completa do ESTP: a Se lendo com precisão total a situação concreta de um detetive de Detroit no contexto institucional de Beverly Hills, a Ti avaliando o ângulo mais interessante de cada situação à medida que ela chega, e só uma estrutura mínima em torno do que a leitura e a avaliação produzem. Ele improvisou boa parte. A Se tinha a leitura. A Ti tinha o ângulo. A função inferior tomou nota da bilheteria depois.
O especial Delirious é o ESTP no seu rendimento máximo: a Se lendo a situação concreta de uma plateia enorme num momento concreto, a Ti avaliando o ângulo mais interessante antes de a Se agir, e a Ni inferior sem prever em absoluto aonde certas piadas sobre certos grupos chegariam ao longo de quarenta anos. Ele apresentou. A Ti tinha confirmado cada ângulo. A Se tinha executado cada ângulo. A função inferior tem agora a conta completa.
Por que Eddie Murphy é ESTP, e não ENTP nem ISTP
Murphy às vezes é tipificado como ENTP, pelo aparente prazer intelectual no trabalho de personagens e pelo alcance do registro cômico. Mas o ENTP gera possibilidades. Murphy lê o que está diante dele com a precisão da Se, e a Ti avalia o ângulo mais interessante antes de a Se agir. Ele não imagina versões alternativas do personagem concreto. Lê a situação concreta e age a partir do que essa leitura produz.
O argumento ESFP vem da expressividade física e do calor humano. Mas o ESFP é Se-Fi: o momento presente vem primeiro e a Fi fornece o aval pessoal. Em Murphy a Ti está claramente ativa: ele avalia constantemente o ângulo mais interessante antes de a Se agir. A avaliação analítica precede a entrega física.
A prova definitiva são as vozes. Ele consegue imitar com enorme precisão a voz de qualquer pessoa a que tenha sido exposto o suficiente. A Se lê com precisão total como aquela voz concreta é produzida fisicamente, a Ti avalia o ângulo mais interessante para reproduzi-la, e a Se executa a réplica antes que a função inferior tenha tido tempo de avaliar se a imitação é adequada naquela situação. Ele imita. A Se tinha a leitura. A Ti tinha o ângulo. A execução foi imediata.
A personalidade ESTP
Voltados para a ação, pragmáticos e totalmente vivos no momento presente. Os ESTP leem as situações rápido e respondem mais rápido ainda. A teoria os entedia; os resultados os definem.