Desmond Tutu
Desmond Tutu é ENFJ. A liderança dele na Comissão da Verdade e Reconciliação foi um ato de arquitetura moral ENFJ no mais alto nível: construir um processo capaz de sustentar todo o peso do passado do apartheid na África do Sul sem desmoronar, capaz de ouvir na mesma sala o testemunho de vítimas e de perpetradores e capaz de buscar a responsabilização sem exigir retaliação. A capacidade dele de manter uma alegria genuína enquanto lidava com o pior de que as pessoas são capazes não é negação, e sim a qualidade mais completa do ENFJ: a calidez é estrutural, e não condicionada a as circunstâncias a merecerem.
Desmond Tutu e a mente ENFJ
Desmond Tutu é ENFJ. O tipo é definido por uma hierarquia de funções cognitivas: não uma lista de traços, mas uma pilha ordenada de processos mentais que determina como alguém percebe o mundo e toma decisões. No caso de Desmond Tutu, essa pilha começa pela Fe (Sentimento extrovertido) e se apoia na Ni (Intuição introvertida). Entender essa ordem explica não só o que Desmond Tutu faz, mas por quê, e por que reage como reage sob pressão, nos relacionamentos e nos momentos decisivos da sua história.
Desmond Tutu lê o ambiente antes de entrar na sala. A Fe (Sentimento extrovertido) é a função dominante: uma sintonia social e emocional tão precisa que Desmond Tutu muitas vezes sabe do que as pessoas precisam antes que elas mesmas consigam expressar. A Ni (Intuição introvertida), como função auxiliar, torna essa sintonia estratégica além de empática: Desmond Tutu trabalha rumo a algo específico, e o calor humano é ao mesmo tempo autêntico e direcionado. O resultado é um personagem inspirador, perceptivo nas relações e capaz de levar grupos a uma visão compartilhada. A Ti inferior (Pensamento introvertido) é o ponto fraco: a lógica interna de Desmond Tutu pode ser notavelmente inconsistente, com racionalizações de decisões que no fundo são emocionais e uma postura defensiva quando essas racionalizações são examinadas de perto.
O que faz de Desmond Tutu um exemplo convincente de ENFJ não é cumprir cada item da descrição do tipo, mas o fato de a pilha de funções se sustentar sob pressão. Nos momentos que definem sua história (as decisões sob estresse, os erros de julgamento, os raros momentos de crescimento real), o padrão é coerente. A função dominante é a primeira a que Desmond Tutu recorre. A função inferior é a que pega Desmond Tutu de surpresa.
Como um ENFJ processa o mundo
Todo ENFJ funciona com a mesma hierarquia de funções cognitivas. Veja como essa pilha se traduz no jeito como Desmond Tutu realmente pensa, decide e age.
Desmond Tutu: o que o perfil ENFJ explica
O perfil ENFJ de Desmond Tutu é o retrato mais completo que a história política sul-africana oferece do tipo quando a Fe dominante encontrou o instrumento institucional específico (a Igreja, especificamente, e a autoridade moral específica que aquela posição institucional dava) que coloca o que a Fe lê e o que a Ni sintetiza ao alcance do público mais amplo possível e com o maior peso possível. Ele não se opôs ao apartheid por ideologia. A Fe leu o que a situação presente das pessoas específicas na África do Sul específica continha, e a Ni sintetizou o que essa leitura exigia da pessoa específica que ocupava aquela posição institucional. A síntese era clara. A partir daí ele construiu o instrumento mais adequado.
A Comissão da Verdade e Reconciliação é a expressão institucional mais completa da combinação Fe-Ni: a Fe lendo o que o momento pós-apartheid exigia da nação específica para a sua cura mais completa, a Ni sintetizando que o instrumento mais adequado para o que essa leitura exigia era o testemunho público específico e a anistia condicional específica, e a construção da estrutura institucional que tornasse essa síntese possível na escala necessária. Ele a presidiu. A Fe tinha a leitura. A Ni tinha a síntese. A comissão foi construída sobre as duas.
"A minha humanidade está ligada à sua, porque só podemos ser humanos juntos." Essa frase é a síntese mais completa do ENFJ: a Fe lendo o que cada configuração humana contém em relação a todas as outras, a Ni sintetizando que a forma mais adequada de expressar o que essa leitura exige é a formulação específica que torna a síntese acessível ao público mais amplo, e a frase entregando-a com a precisão que a síntese designava. Ubuntu. A Fe leu. A Ni sintetizou. A frase entregou.
Por que Desmond Tutu é ENFJ, e não INFJ nem ENFP
Tutu às vezes é tipificado como INFJ, pela aparente profundidade e pela qualidade visionária da comissão. Mas o INFJ começa pela Ni. Tutu começa pela Fe: a leitura das pessoas específicas é o principal, e a Ni sintetiza o que essa leitura exige. A comissão não foi sintetizada antes do envolvimento com o povo sul-africano. A Fe leu o que aquele momento específico exigia. A Ni sintetizou a comissão. A síntese veio depois da leitura.
O argumento ISTJ vem da lealdade institucional e da gestão sistemática. Mas no ISTJ a Te é auxiliar. Em Tutu, a Fe é a principal: a leitura de cada pessoa em cada sala é a operação dominante. A gestão institucional serve à leitura. A leitura vem sempre primeiro.
A prova definitiva é o riso. Ele ria com frequência, alto e com intenção. A Fe lia o que a configuração específica do momento específico continha (inclusive a alegria, especificamente), e a Ni sintetizava que o instrumento mais adequado para o que essa leitura exigia naquele momento era a expressão específica da alegria específica que a Fe tinha identificado. Ele ria porque a Fe lia isso como necessário. O riso não era encenação. Era a entrega mais completa, pela Fe, do que a leitura designava como a resposta mais adequada.
A personalidade ENFJ
Calorosos, com propósito e naturalmente sintonizados com aquilo de que os outros precisam para crescer. Os ENFJ lideram por meio das relações. Raramente agem sem uma visão do bem comum pelo qual trabalham.